Brazilian Journal of Otorhinolaryngology Brazilian Journal of Otorhinolaryngology
Braz J Otorhinolaryngol 2017;83:627-32 DOI: 10.1016/j.bjorlp.2017.05.010
Artigo original
Tracheostomy in children: a ten‐year experience from a tertiary center in southern Brazil
Traqueostomia em crianças: uma experiência de dez anos em um centro terciário do sul do Brasil
Cláudia Schweigera,, , Denise Manicaa, Carolina Fischer Beckera, Larissa Santos Perez Abreua, Michelle Manzinia, Leo Sekineb, Gabriel Kuhla,c
a Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Serviço de Otorrinolaringologia, Porto Alegre, RS, Brasil
b Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Programa de Pós‐Graduação em Epidemiologia, Porto Alegre, RS, Brasil
c Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia, Porto Alegre, RS, Brasil
Recebido 27 Maio 2016, Aceitaram 10 Agosto 2016
Resumo
Introdução

As crianças podem necessitar de traqueostomia devido a diferentes problemas de saúde. Ao longo dos últimos 40 anos, as indicações de traqueostomia passaram por mudanças substanciais.

Objetivo

Avaliar pacientes pediátricos com traqueostomia no nosso hospital, no que diz respeito às suas indicações, comorbidades associadas, complicações e taxas de decanulação.

Método

Estudo retrospectivo de pacientes com menos de 18 anos submetidos a traqueostomia em um centro de saúde terciário, de janeiro de 2006 a novembro de 2015.

Resultados

123 crianças precisaram de uma traqueostomia após avaliação otorrinolaringológica durante o período do estudo. Do total, 63% eram do sexo masculino e 56% menores de um ano. Glossoptose foi a indicação mais comum (30%), seguida por estenose subglótica (16%) e faringomalácia (11%). A taxa de mortalidade foi de 31%. Até o fim deste artigo, 35 crianças (28,4%) haviam sido decanuladas e quanto menor o número de comorbidades, maior foi a taxa de decanulação (0,77±0,84 vs. 1,7±1,00 comorbidades; p<0,001).

Conclusão

A traqueostomia em crianças é um procedimento relativamente frequente em nosso hospital. As indicações mais comuns são glossoptose e estenose subglótica. Uma alta taxa de mortalidade foi encontrada, potencialmente comprovada pelo elevado número de pacientes críticos com condições neurológicas crônicas nessa coorte. Nossa taxa de decanulação está ligeiramente abaixo de outras séries, provavelmente por causa da maior quantidade de pacientes com comorbidades.

Abstract
Introduction

Children may require tracheostomy due to many different health conditions. Over the last 40 years, indications of tracheostomy have endorsed substantial modifications.

Objective

To evaluate pediatric patients warranted tracheostomy at our Hospital, in regard to their indications, associated comorbidities, complications and decannulation rates.

Methods

Retrospective study concerning patients under 18 years of age undergoing tracheostomy in a tertiary health care center, from January 2006 to November 2015.

Results

123 children required a tracheostomy after ENT evaluation during the study period. A proportion of 63% was male, and 56% was under one year of age. Glossoptosis was the most common indication (30%), followed by subglottic stenosis (16%) and pharyngomalacia (11%). The mortality rate was 31%. By the end of this review, 35 children (28.4%) had been decannulated, and the fewer the number of comorbidities, the greater the decannulation rate (0.77±0.84 vs. 1.7±1.00 comorbidities; p<0.001).

Conclusion

Tracheostomy in children is a relatively frequent procedure at our hospital. The most common indications are glossoptosis and subglottic stenosis. A high mortality rate was found, potentially substantiated by the high number of critical care patients with chronic neurological conditions in this cohort. Our decannulation rate is slightly below other series, probably because of the greater amount of patients with comorbidities.

Keywords
Tracheostomy, Child, Epidemiology
Palavras‐chave
Traqueostomia, Criança, Epidemiologia
Braz J Otorhinolaryngol 2017;83:627-32 DOI: 10.1016/j.bjorlp.2017.05.010