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Vol. 84. Núm. 5.Setembro - Outubro 2018Páginas 529-672
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Vol. 84. Núm. 5.Setembro - Outubro 2018Páginas 529-672
Artigo Original
DOI: 10.1016/j.bjorlp.2017.07.019
Prognostic significance of soft tissue deposits in laryngeal carcinoma
Importância prognóstica de depósitos de tecido mole no carcinoma laríngeo
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Omer Afsin Ozmena,
Autor para correspondência
oaozmen@yahoo.com

Autor para correspondência.
, Melih Alpayb, Ozlem Saraydarogluc, Uygar Levent Demira, Fikret Kasapoglua, Hamdi Hakan Coskuna, Oguz Ibrahim Basuta
a Uludag University Faculty of Medicine, Department of Otolaryngology, Bursa, Turquia
b Sanlıurfa Viransehir State Hospital, Sanlıurfa, Turquia
c Uludag University Faculty of Medicine, Department of Pathology, Bursa, Turquia
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Estatísticas
Figuras (2)
Tabelas (5)
Tabela 1. Fatores demográficos, clínicos e patológicos e sua distribuição de acordo com o depósito de tecido mole
Tabela 2. Modalidades de tratamento empregadas em pacientes e sua distribuição de acordo com o depósito de tecido mole
Tabela 3. Ocorrências oncológicas no acompanhamento e sua distribuição de acordo com o depósito de tecido mole
Tabela 4. Taxas de sobrevida de cinco anos específica para doença e geral dos pacientes de acordo com fatores clínicos e histopatológicos
Tabela 5. Fatores que afetam a sobrevida de acordo com análise multivariada e razões de risco
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Abstract
Introduction

Soft tissue deposits is tumorous islands apart from lymph nodes and occasionally diagnosed in neck dissection specimens. Their importance has begun to be recognized, however, their value has not been investigated in laryngeal cancer as a single tumor site.

Objective

To investigate the prognostic value of soft tissue deposits in patients with laryngeal carcinoma.

Methods

Medical records of 194 patients with laryngeal carcinoma who were treated primarily by surgery and neck dissection were reviewed. Prognostic significance of soft tissue deposits was assessed along with other clinical and pathological findings. Recurrence rates, overall and disease‐specific survival rates were examined.

Results

The incidence of soft tissue deposits was found to be 7.2% in laryngeal carcinoma. N stage was more advanced in patients who had soft tissue deposits. Regional recurrence rate was higher and disease specific and overall survivals rates were significantly lower in patients with soft tissue deposits in univariate analysis. However, in multivariate analysis, soft tissue deposits were not found as an independent risk factor.

Conclusion

In laryngeal carcinoma, soft tissue deposits was diagnosed in patients with more advanced neck disease and their significance was lesser than other factors including extranodal extension.

Keywords:
Laryngeal cancer
Soft tissue deposit
Cervical metastasis
Prognosis
Survival
Resumo
Introdução

Depósitos de tecido mole são ilhas tumorais diferente dos linfonodos e ocasionalmente diagnosticados em amostras de esvaziamento cervical. Sua importância começou a ser reconhecida, mas seu valor não foi investigado no câncer de laringe como um único local de tumor.

Objetivo

Investigar o valor prognóstico do depósito de tecido mole em pacientes com carcinoma laríngeo.

Método

Os prontuários de 194 pacientes com carcinoma laríngeo tratados principalmente por cirurgia e esvaziamento cervical foram analisados. O significado prognóstico dos depósitos de tecido mole foi avaliado juntamente com outros achados clínicos e histopatológicos. As taxas de recidiva, as taxas de sobrevida geral e específicas da doença foram avaliadas.

Resultados

Observou‐se uma incidência de depósitos de tecido mole de 7,2% no carcinoma laríngeo. O estágio N foi mais avançado em pacientes com depósitos de tecido mole. A taxa de recorrência regional foi maior e as taxas de sobrevida geral e específica da doença foram significativamente menores nesses pacientes na análise univariada. No entanto, na análise multivariada, o depósito de tecido mole não foi observado como um fator de risco independente.

Conclusão

No carcinoma laríngeo, o depósito de tecido mole foi diagnosticado em pacientes com doença cervical mais avançada, mas sua significância foi menor do que outros fatores, inclusive a extensão extranodal.

Palavras‐chave:
Câncer laríngeo
Depósito de tecido mole
Metástase cervical
Prognóstico
Sobrevida
Texto Completo
Introdução

O carcinoma laríngeo é o tipo mais comum de carcinomas de cabeça e pescoço, exclusive câncer de pele.1 O estadiamento TNM é usado para designar a terapia ideal e avaliar o prognóstico dos pacientes. Entre esses fatores, as metástases cervicais apresentam‐se como o fator mais significativo, diminuem a taxa de sobrevida de cinco anos em 50%.2 Fatores relacionados a metástases cervicais, como extensão extranodal (EEN), linfonodos conglomerados e outros fatores tumorais como diferenciação, invasão linfovascular (ILV) ou invasão perineural (IPN), também foram propostos para indicar significância prognóstica, embora não tenham sido incluídos no estadiamento TNM.3–5 Violaris et al.6 foram os primeiros a mencionar o termo depósitos de tecidos moles (DTM) ou metástases livres de tecidos moles na literatura. Jose et al.7 definiram os depósitos de tecido mole como carcinoma espinocelular (CEC) extralinfático, ou metástases que não tinham tecido linfoide devido à destruição total da arquitetura dos linfonodos. Segundo Sarioglu et al.,8 o diagnóstico desses depósitos tumorais seria indicado pela ausência de qualquer sinal de linfonodo residual e localização na bacia linfática do tumor primário.

Embora os critérios patológicos dos DTM sejam bem estabelecidos, não têm sido relatados regularmente nos estudos e seu significado clínico ainda não é evidente. O objetivo do presente estudo foi investigar o valor prognóstico dos DTM em pacientes com carcinoma laríngeo.

MétodoPopulação de estudo

O presente estudo foi feito em um hospital universitário, departamento de otorrinolaringologia, com permissão do comitê de ética local (2014‐23/11). Foram analisados retrospectivamente 269 pacientes submetidos a esvaziamento cervical de 1 de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2014 com diagnóstico de carcinoma laríngeo.

Os pacientes submetidos a laringectomia (parcial ou total) e esvaziamento cervical simultâneos como tratamento primário devido a CEC laríngeo foram incluídos na análise. Os pacientes operados como tratamento de resgate (34) ou que não foram submetidos a laringectomia e esvaziamento cervical simultâneos (25) foram excluídos, assim como os casos com tumores síncronos (três) ou com perda de seguimento (13). Buscou‐se um período de seguimento de pelo menos um ano, exceto para pacientes que faleceram antes da conclusão de um ano de pós‐operatório.

Técnicas histopatológicas e depósitos de tecidos moles

Os materiais do esvaziamento cervical, que foram separados em zonas perioperatorias, foram saturados em formalina por 24 horas. As lesões nodulares foram separadas (dissecção patológica macroscópica) e incorporadas individualmente em blocos de parafina. Esses blocos foram seccionados na sua totalidade com cortes de espessura de 4μm e corados com H&E.

Qualquer tecido tumoral nos tecidos moles dos materiais de esvaziamento cervical, com ou sem contornos regulares que não tinham arquitetura de linfonodo foram diagnosticados como DTM (fig. 1).

Figura 1.
(0,53MB).

Corte histológico do depósito de tecido mole. Observa‐se massa nodular irregular composta por células tumorais malignas que infiltram o tecido lipomatoso (H&E, ×40).

Medidas de desfecho

A avaliação primária foram o impacto dos DTM sobre o desfecho oncológico, representado pela taxa de recorrência, e taxas de sobrevida geral e específicas da doença.

Outras variáveis prognósticas

Variáveis demográficas (idade, sexo, tabagismo, consumo de álcool), clínicas (doenças comórbidas, traqueotomia pré‐operatória) e patológicas (histopatologia e diferenciação de tumor, IVL, EPN, margens cirúrgicas, extensão extranodal, linfonodos conglomerados, DTM) foram analisadas de acordo com implantes tumorais livres e investigadas como fatores prognósticos. O estágio de TNM foi calculado de acordo com o sistema de estadiamento do American Joint Committee on Cancer (AJCC) de 2007.9

Sobrevida

O acompanhamento e o status dos pacientes foram estabelecidos a partir de registros hospitalares. A adesão ao tratamento adjuvante, complicações, recorrências locais/regionais, metástases a distância, segundos primários e causa de morte foram identificados em conformidade. Os pacientes foram agrupados de acordo com seu status final como Sem Evidência de Doença (SED), Vivo com Doença (VCR), Morto de Outra Causa (MOC) e Morto Devido à Doença (MDD). As mortes por complicações pós‐operatórias foram aceitas como MOC.

Análise estatística

As análises foram feitas com SPSS v.22.0 (IBM, NY, EUA). O teste de qui‐quadrado foi empregado para variáveis categóricas e o teste de Mann‐Whitney‐U para variáveis numéricas que não apresentaram distribuição normal. As curvas de sobrevida de Kaplan‐Meier foram usadas para calcular estimativas de sobrevida global e específica de doença de dois e cinco anos. As estimativas de Kaplan‐Meier foram comparadas com o teste log‐rank para significar o efeito de fatores sobre a sobrevida individualmente. O modelo de regressão de riscos proporcionais de Cox foi usado para calcular as taxas de sobrevida e risco e 95% de IC. O nível de significância estatística foi definido como p < 0,05.

ResultadosCaracterísticas demográficas e clinicopatológicas

Dos 194 pacientes com carcinoma laríngeo incluídos no estudo, 189 eram homens (97,4%) e cinco eram mulheres (2,6%). A idade média foi de 60,8±8,6 anos, com uma faixa de 41‐84.

As variáveis demográficas, clínicas e patológicas foram analisadas de acordo com a presença ou ausência de implantes tumorais livres (tabela 1). O estágio N foi mais avançado e extensão extranodal, linfonodos conglomerados, espaços perineurais e invasão linfovascular foram mais frequentes em pacientes com DTM em comparação com aqueles que não os tinham.

Tabela 1.

Fatores demográficos, clínicos e patológicos e sua distribuição de acordo com o depósito de tecido mole

  Depósito de tecido moleTotal n (%)  p‐valor 
  Presente n (%)  Ausente n (%)     
Sexo       
Masculino  14 (100)  175 (97,2)  189 (97,4)   
Feminino  0 (0)  5 (2,8)  5 (2,6)   
Tabagismo       
Sim  12 (85,7)  157 (87,2)  169 (87,1)   
Não  2 (14,3)  23 (12,8)  25 (12,9)   
Doença comórbida       
Presente  5 (35,7)  62 (34,4)  67 (34,5)   
Ausente  9 (64,3)  118 (65,6)  127 (65,5)   
Traqueotomia pré‐operatória        0,085 
Sim  7 (50)  45 (25)  52 (26,8)   
Não  7 (50)  135 (75)  142 (73,2)   
Tipo histopatológico        0,546 
CEC classic  14 (100)  156 (86,7)  170 (87,6)   
CEC basaloide  0 (0)  18 (10)  18 (9,3)   
CEC verrucoso  0 (0)  1 (0,6)  1 (0,5)   
CEC papilar  0 (0)  5 (2,8)  5 (2,6)   
Diferenciação        0,589 
Bem  1 (7,1)  23 (13,1)  24 (12,6)   
Moderadamente  7 (50)  99 (56,2)  106 (55,8)   
Pouco  6 (42,9)  54 (30,7)  60 (31,6)   
Estágio patológico        0,071 
Estágio 1  0 (0)  9 (5)  9 (4,6)   
Estágio 2  0 (0)  26 (14,4)  26 (13,4)   
Estágio 3  1 (7,1)  42 (23,3)  43 (22,2)   
Estágio 4  13 (92,9)  103 (57,2)  116 (59,8)   
Estágio T (patológico)        0,593 
T1  1 (7,1)  9 (5,0)  10 (5,2)   
T2  1 (7,1)  37(20,6)  38 (19,6)   
T3  4 (28,6)  51 (28,3)  55 (28,4)   
T4  8 (57,1)  83 (46,1)  91 (46,9)   
Estágio N (patológico)        < 0,001 
N0  0 (0)  109 (60,6)  109 (56,2)   
N1  2 (14,3)  36 (20)  38 (19,6)   
N2  10 (71,4)  33 (18,3)  43 (22,2)   
N3  2 (14,3)  2 (1,1)  4 (2,1)   
Margem cirúrgica       
Negativa  14 (100)  176 (97,8)  190 (97,9)   
Positiva  0 (0)  4 (2,2)  4 (2,1)   
Disseminação extracapsular        0,002 
Presente  6 (42,9)  19 (10,6)  25 (12,9)   
Ausente  8 (57,1)  161 (89,4)  169 (87,1)   
Linfonodos conglomerados        < 0,001 
Presente  8 (57,1)  11(6,1)  19 (9,8)   
Ausente  6 (42,9)  169 (93,9)  175 (90,2)   
Invasão perineural        0,003 
Presente  8 (57,1)  34 (19,3)  42 (22,1)   
Ausente  6 (42,9)  142 (80,7)  148 (77,9)   
Invasão linfovascular        < 0,001 
Presente  5 (35,7)  8 (4,5)  13 (6,8)   
Ausente  9 (64,3)  168 (95,5)  177 (93,2)   
Total  14 (7,2)  180 (92,8)  194 (100)   

O tipo de cirurgia e o uso do tratamento adjuvante foram semelhantes em relação aos DTM, enquanto DTM foi encontrado com mais frequência nas amostras de esvaziamentos cervicais radicais (tabela 2).

Tabela 2.

Modalidades de tratamento empregadas em pacientes e sua distribuição de acordo com o depósito de tecido mole

  Depósito de tecido moleTotal n (%)  p‐valor 
  Presente n (%)  Ausente n (%)     
Laringectomia        0,399 
Parcial  4 (28,6)  72 (40)  76 (39,2)   
Total  10 (71,4)  108 (60)  118 (60,8)   
Esvaziamento cervical        < 0,001 
Seletivo  3 (21,4)  168 (93,3)  171 (88,1)   
Radical  11 (78,6)  12 (6,7)  23 (11,9)   
Tratamento adjuvante        0,204 
Radioterapia  6 (42,9)  75 (41,7)  81 (41,8)   
Quimioterapia  6 (42,9)  45 (25)  51 (26,3)   
Nenhuma  2 (14,3)  60 (33,3)  62 (32,0)   
Total  14 (7,2)  180 (92,8)  194 (100)   
Desfecho oncológico e sobrevida

A duração média do acompanhamento foi de 36,6±23,4 meses. Dez pacientes (5,2%) desenvolveram recorrências locais e 16 (8,2%) regionais. Dois pacientes tiveram recidivas locais e regionais; assim, a taxa de recorrência loco‐regional geral foi estabelecida como 12,4%. As metástases distantes foram diagnosticadas em 15 pacientes (7,7%). Segundos tumores primários apareceram em 24 pacientes (12,4%) durante o seguimento. As recorrências regionais foram mais comuns nos pacientes com DTM (tabela 3).

Tabela 3.

Ocorrências oncológicas no acompanhamento e sua distribuição de acordo com o depósito de tecido mole

  Depósito de tecido moleTotal n (%)  p‐valor 
  Presente n (%)  Ausente n (%)     
Recorrência local
Presente  0 (0)  10 (5,5)  10 (5,2)  0,781 
Ausente  14 (100)  170 (94,4)  184 (94,8)   
Recorrência regional
Presente  4 (28,6)  12 (6,7)  16 (8,2)  0,018 
Ausente  10 (71,4)  168 (93,3)  178 (91,8)   
Metástase a distância
Presente  2 (14,3)  13 (7,2)  15 (7,7)  0,664 
Ausente  12 (85,7)  167 (92,8)  179 (92,3)   
Segundo primário
Presente  2 (14,3)  22 (12,2)  24 (12,4) 
Ausente  12 (85,7)  158 (87,8)  170 (87,6)   
Total  14 (7,2)  180 (92,8)  194 (100)   

O status final de 131 pacientes (67,5%) foi SED, nove (4,6%) VCR, 25 (12,9%) MDD, 22 (11,3%) MOC e sete (3,6%) foram perdidos devido a complicações perioperatórias também aceitas como MOC.

A sobrevida específica da doença foi de 79,8±2,3 e a sobrevida global foi de 68,1±2,8 meses para todo o grupo de estudo de acordo com estimativas de Kaplan‐Meier.

A sobrevida específica da doença foi de 45,1±6,9 meses para pacientes com DTM e 81,1±2,2 meses para aqueles sem DTM. As taxas de sobrevida específicas da doença de dois e cinco anos foram de 90,3% e 84,8% em pacientes sem DTM e 74% e 49,4%, respectivamente, em pacientes com DTM (tabela 4, fig. 2). O DTM mostrou ter uma influência significativa sobre a sobrevida específica da doença (p = 0,041).

Tabela 4.

Taxas de sobrevida de cinco anos específica para doença e geral dos pacientes de acordo com fatores clínicos e histopatológicos

  Taxa de sobrevida específica da doença (%)Taxa de sobrevida geral (%)
  2 anos  5 anos  p‐valor  2 anos  5 anos  p‐valor 
Tabagismo0,041 
Sim  87,5  80,2  0,044  79,9  64,6   
Não  100  100    95,7  79,7   
Doença comórbida0,076 
Ausente  89,5  81  0,686  85,1  74,6   
Presente  88,4  85,6    76,2  57,1   
Traqueotomia pré‐operatória0,67 
Ausente  90,5  84,5  0,206  84,1  71,5   
Presente  85,2  78,3    75,3  55,1   
Tipo de tumor0,534 
Clássico  89,1  81,8  0,508  81,1  63,3   
Basaloide  100  88,9    87,7  78,0   
Papilar  100  100    82,4  66,7   
Diferenciação0,955 
Bem  90,9  83,3  0,894  83,1  65,3   
Moderado  89,0  80,5    81,9  60,7   
Pouco  91,8  85,8    78,2  67,1   
Margem cirúrgica0,141 
Negativo  89,9  83,5  0,003  82,5  67,5   
Positivo  50  50    50  50   
Estágio N0,004 
94,9  90,2  0,017  91,4  75,3   
86  79,4    75,9  65,9   
74,7  67,9    59,7  46,5   
50  50    50  50   
Depósito de tecido mole0,002 
Presente  74  49,4  0,041  78,6  16,4   
Ausente  90,3  84,8    84,3  71,2   
Disseminação extracapsular< 0,001 
Presente  59,1  50,7  < 0,001  56,8  37,9   
Ausente  92,9  86,9    86,9  71,2   
Linfonodos conglomerados0,025 
Presente  74,6  74,6  0,143  55,8  37,2   
Ausente  90,5  83,8    84,4  70,1   
Invasão perineural0,002 
Presente  82,7  72,3  0,105  67,6  45,5   
Ausente  90,5  84,9    85,2  71,9   
Invasão linfovascular0,167 
Presente  92,3  76,9  0,848  75,2  53,7   
Ausente  88,6  82,9    82  67,7   
Tipo de esvaziamento cervical< 0,001 
Seletivo  90,3  87,1  0,001  85,9  74,3   
Radical  78,5  37,2    51,1  12,1   
Recorrências locais0,007 
Presente  50  40  < 0,001  50  40   
Ausente  91,7  86    83,8  68,9   
Recorrências regionais< 0,001 
Presente  55  34,4  < 0,001  55  24,1   
Ausente  92,7  88    84,5  71,8   
Metástase distante< 0,001 
Presente  51,4  27,4  < 0,001  51,4  22,9   
Ausente  92,4  87,5    84,3  70,9   
Figura 2.
(0,16MB).

Gráficos de Kaplan‐Meier demonstram taxas de sobrevida (A) geral e (B) específica da doença por depósito de tecido mole.

A sobrevida global foi de 35,3±6,2 meses em pacientes com DTM e 70,3±2,8 meses em pacientes livres de DTM. As taxas de sobrevida global de dois e cinco anos foram de 84,3% e 71,2% quando não houve evidência de DTM na amostra. Por outro lado, seria de 49,1% e 16,4%, respectivamente, nos casos em que DTM estava presente. As taxas globais de sobrevida foram significativamente menores na presença de DTM em comparação com a ausência (p = 0,002).

O estágio T, traqueotomia pré‐operatória, tipo de tumor e diferenciação, invasão linfovascular e doenças comórbidas não afetaram as taxas de sobrevida.

A história de tabagismo, espaços perineurais, margens cirúrgicas para amostra laríngea, estágio N, EEN, linfonodos conglomerados e DTM para a amostra cervical, tipo de esvaziamento cervical e recidivas ou metástases distantes tiveram efeitos prejudiciais sobre a sobrevida (tabela 4).

Fatores significativos da análise univariada foram testados com análise de regressão Cox multivariada (tabela 5). Verificou‐se que extensão extranodal aumentava o risco de morte por câncer de laringe em 3,47 vezes. A margem cirúrgica positiva também foi um fator significativo para a sobrevida específica da doença. A sobrevida global foi significativamente reduzida pelo tabagismo e espaços perineurais. Verificou‐se que a extensão extranodal estava relacionada com a sobrevida global, mas em menor grau.

Tabela 5.

Fatores que afetam a sobrevida de acordo com análise multivariada e razões de risco

  Razão de risco (IC 95%)  p‐valor 
Sobrevida específica da doença
Disseminação extracapsular  3,470 (1,209–9,964)  0,021 
Margem cirúrgica  0,203 (0,043–0,965)  0,045 
Sobrevida geral
Tabagismo  4,447 (1,058–18,687)  0,042 
Disseminação extracapsular  2,197 (0,974–4,957)  0,058 
Invasão perineural  2,166 (1,129–4,153)  0,02 
Discussão

Há relatos na literatura de que os depósitos de tecidos moles apresentam uma incidência global de 17,1‐24,3 nos cânceres de cabeça e pescoço.7,8,10 Na análise de subgrupos, percebeu‐se que o carcinoma de laringe estava associado a DTM menores (14,3% ‐16,1%) em comparação com cânceres de cavidade oral (20% ‐22,6%) e hipofaringe (22,7% ‐38,5%).8,10 A incidência de depósitos de tecidos moles foi de 7,2% no presente estudo, menor do que na literatura. A exclusão de pacientes submetidos a radioterapia prévia e técnicas usadas no histopatológico podem estar associadas a menores taxas de DTM do que na literatura.

Observou‐se que os DTM são mais frequentes em pacientes com doença cervical avançada, o que é confirmado por estudos prévios.7,8 Cinco por cento dos pacientes com N1, 23% com N2 e 50% com tumores no pescoço N3 apresentaram DTM, enquanto que nenhum dos pacientes com tumores cervicais N0 apresentou DTM. Sarioglu et al.8 relataram um único caso de DTM em um pescoço patologicamente N0.

As extensões extranodais, que também indicaram doença avançada do pescoço, foram associadas a DTM com mais frequência; 43% dos DTM foram encontrados juntamente com extensão extranodal, enquanto 24% das extensões extranodais coexistiram com DTM. Isso também foi concordante com a literatura.7,8,10

Outros fatores prognósticos, como os linfonodos conglomerados, espaços perineurais e invasão linfovascular, foram associados a DTM, o que indicava um comportamento tumoral mais agressivo; no entanto, certos fatores que usualmente determinam agressividade tumoral, como o subtipo histopatológico do tumor ou a diferenciação do tumor, não foram associados a DTM.

Os depósitos de tecidos moles podem representar metástases extranodais verdadeiras ou metástases nodais em que toda a arquitetura nodal foi perdida devido à infiltração do tumor.10 O comportamento agressivo do tumor ou a má defesa do hospedeiro podem ser a causa subjacente. De qualquer maneira, o processo implica um prognóstico teoricamente sombrio.

Por motivos clínicos, os pacientes com DTM apresentaram quatro vezes mais recidivas regionais do que aqueles sem DTM. Na literatura há relatos de que os DTM aumentam a recorrência e as taxas de metástase a distância em 2,29 vezes.8 O período de sobrevida de pacientes com DTM foi cerca de metade daqueles sem DTM. Nas análises univariadas, o DTM mostrou diminuir significativamente as taxas de sobrevida; no entanto, na análise multivariada, o DTM não foi considerado como um fator de prognóstico independente. Na literatura, em um estudo, os DTM foram relatados como um fator independente para carcinomas de cabeça e pescoço, diminuíram a sobrevida global em 3,2 vezes.8 A incidência relativamente mais baixa de DTM observada no carcinoma laríngeo pode ter conduzido outros potenciais fatores prognósticos a mascarar a importância dos DTM em nosso estudo. No entanto, os DTM parecem ter um impacto prognóstico significativo no desfecho do câncer de laringe e recomendamos que os DTM sejam incluídos na análise patológica e considerados na árvore de decisão.

A análise multivariada confirmou EEN, margens cirúrgicas positivas e espaços perineurais como fatores prognósticos independentes no carcinoma laríngeo. Esses fatores já foram aceitos como importantes fatores prognósticos e foram motivo do uso de tratamentos adjuvantes em muitas instituições.11–14 Curiosamente, o tabagismo foi encontrado como um fator de risco importante que afeta a sobrevida global. O risco de segundo tumor primário ou o aumento de complicações e comorbidades pode fornecer mecanismos para o tabagismo exercer seus efeitos.15

Embora os carcinomas de cabeça e pescoço sejam todos CEC, eles apresentam características clínicas diversas. Assim, acreditamos que a análise dos DTM, mesmo feita isoladamente para o carcinoma laríngeo, foi valiosa para identificar seu significado prognóstico.

Conclusão

No carcinoma laríngeo, o DTM foi diagnosticado em pacientes com doença cervical mais avançada e teve menor significado do que outros fatores, inclusive EEN. A natureza retrospectiva do estudo e uma população de estudo relativamente pequena sugerem que estudos adicionais são necessários.

Aprovação ética

Todos os procedimentos feitos em estudos que envolvem participantes humanos estavam de acordo com os padrões éticos do comitê de pesquisa institucional e com a declaração de Helsinque de 1964 e suas alterações posteriores ou padrões éticos comparáveis.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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Como citar este artigo: Ozmen OA, Alpay M, Saraydaroglu O, Demir UL, Kasapoglu F, Coskun HH, et al. Prognostic significance of soft tissue deposits in laryngeal carcinoma. Braz J Otorhinolaryngol. 2018;84:566–73.

A revisão por pares é da responsabilidade da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial.

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